09, 07 2008  -  Ano 01

Louras nem tão burras

Lilian Zaremba

Esta semana o órgão carioca responsável pela qualidade de remédios e produtos similares, retirou das prateleiras das farmácias algumas tinturas para colorir cabelos. Uma delas era fórmula das mais vendidas: a que transforma a juba de qualquer mulher em fios dourados como a luz do sol...

Algumas vezes, não se sabe bem porque, alguma idéia absurda acaba incorporada ao cotidiano social, aceita com o tempo e suas inúmeras repetições. E justamente um desses mitos urbanos credita aos cabelos loiros a cor exata para a falta de inteligência. Nada indica verdade neste fato tão absurdo, mas caiu no gosto do público, virou piada e pronto: estava formado o padrão.

Uma origem dessa crendice, se não nasceu no cinema, sem dúvida deve a ele grande parte de sua ressonância. Repetida como se fosse um mantra, a noção de que “toda loura muito bonita, é desprovida de inteligência”, imortalizou alguns mitos.

Marilyn Monroe algumas vezes se viu enrascada neste rótulo, grudado por aqueles que não conseguiam perceber sua intensidade cênica, ofuscados em sua enorme beleza e ousadia.

Este mito da boa forma física sem funcionamento do raciocínio, vem sendo um filão rentável na carreira da jovem e loura Reese Whiterspoon, cujo cachê estourou à partir de seu papel em “Legalmente Loura”.

Realizado em 2001 pelo diretor Robert Luketic, esta comédia coloca o “turning point” do personagem de uma adolescente inicialmente envolvida apenas em atividades um tanto fúteis mas deliberamente femininas como fazer unhas, cuidar dos cabelos e roupas, mudar de propósitos. Para conquistar seu ex-namorado decide estudar para entrar numa importante universidade de direito. Acaba se tornando excelente estudante e advogada, uma surpresa para todos.

Sucesso de bilheteria, resultando na seqüência, o filme Legalmente Loura 2, realizado em 2005 desta vez sob direção de Charles Hermann, colocou a carreira da atriz Laura Jeanne Reese Whiterspoon no topo das atrizes de Hollywood.

Nascida em Nova Orleãns, em 1976, filha de um cirurgião militar e uma enfermeira, Reese viveu na Alemanha e depois em Nashville. Mas está longe de seu personagem fetiche.

Formou-se em literatura na prestigiada Universidade de Standford, mas em 1990 trabalhou no filme O Homem na Lua, dirigido por Robert Mulligan, e depois não parou mais.

Em 2005, Reese Whiterspoon recebeu o Oscar e o Globo de Ouro por sua atuação no filme Walk the Line, aonde interpretou a cantora June Carter Cash. Já tinha recebido o em 2002 o MTV Award por seu papel em Legalmente Loira.

Além desses, volta e meia passa na televisão a cabo brasileira outros filmes aonde a loira Reese Whiterspoon revela seu talento, como  naquele “Intenções Cruéis”, baseado em novela de Choderlos de Laclos.

roliças, delgadas, ou até robóticas, desde que sejam loiras

Padrões de beleza costumam marcar época, mas acabam mudando.

Belezas roliças ou esquálidas, fornecem inspiração do mesmo jeito: poesias, letras de música, roteiros de filmes, romances escritos... ativar a imaginação é o verdadeiro motivo final. 

O problema é a limitação. Um bom exemplo está colocado de forma bem humorada no filme “As esposas de Stepford”.

Trazendo Glenn Close no papel de uma cientista determinada a criar em Stepford (não por acaso cidade norteamericana) lares perfeitos aonde todas as mulheres devem ser donas de casa loiras, dedicadas e abnegadas. O preço disso, é claro, não sai barato: falta a inteligência do raciocínio e da diferença.

Mas o que falta na ficção sobra na realidade: tanto Glenn Close quanto Nicole Kidman, a outra atriz deste filme, estão perfeitamente loiras, inteligentes e engraçadas. Humor que resvala para a trilha sonora, reunindo músicas de Richard Rodgers (que não era loiro).

 

Tá, com todo coloquialismo do mundo, assumo

Manoela Garcia

Tá, assumo: eu gosto de mulher. Mentira. Sou louca por mulher. Cascata. Não sou louca, mas adoro saber que amo uma mulher. E não se explica. É bonito, é gostoso, é sensual. É sexy mesmo quando não obrigatoriamente sexual. Embora seja natural que... seja.

Tá, já me apaixonei por homens ou já tentei me apaixonar. Paixão rápida, um rápido desinteresse, uma falta de sintonia. E não digo sexual. Não dá pé, simplesmente. A verdade é que quando você conhece a outra parte de você mesma ou o outro lado de uma história... não se contenta mais com a metade. Porque a mulher consegue suprir o lado masculino muitas vezes, mas o homem raramente sabe o contrário.
 
Gosto de imaginar cenas, pessoas se beijando nas ruas sem pudor. Gosto de pensar que o mundo é gay porque em geral, é mesmo. Até as pesquisas científicas afirmam sobre isso. E chamo de gay tudo aquilo que se define em regras ou nomenclaturas das quais discordo ou considero inúteis. Não me defino lésbica. Sou gay. Não me defino bissexual. Sou gay. Quando na verdade sou nada disso. Eu sou eu, Manoela Garcia, Manô para a legião de amigos, e ponto final.
 
Ontem vi Caetano na televisão. Gosto da forma como ele fala, embora nem tanto mais das suas canções. “Cê”, então... já ouviu esse último cd? Mágoa pura, parece. Ode ao ódio que agora sente por Paula Lavigne? Sei lá, Deus, as mulheres... mas Caetano é gay e gosto dele. Não porque é gay, mas também por isso. Mas não de Gilberto Gil e sim para Ney Matogrosso. Gosto de autenticidade e amo House. Que não é gay, mas sendo ou não sendo eu o comeria da mesma forma. Se é que é permitido comer algo assim tão em público por aqui.
 
Tá, assumo: sou gay, bissexual, lésbica, o que quiser me chamar e o que o coração mandar. Quem acha isso safadeza ou falta de vergonha é porque nunca foi feliz em amar uma mulher. Ou mesmo um homem. Ou pior, nem a si mesmo. Com todas as faltas de regras que o sentimento embute, impõe, guarda, resguarda, resvala e oferece – tão gratuitamente que se torna inesquecível – para que ser uma coisa só quando se pode sentir-se plural?
 
Gosto de sentir a pele macia sobre a minha. Beijos de rostos, de olhos, de veludos, de cetins, de manhãs colecionadas assim. De olhares trocados, de situações capciosas. Amo situações capciosas. Momentos em que nos entendemos só de olhar, quando palavras não podem ecoar. Gosto até mesmo do preconceito alheio, insensato, mas que me faz provar o inaceitável para uns, o inimaginável para outros. O proibido cada vez mais comum entre nós. Porque não é por gostar de mulher que o mundo se faz diferente. Ou pop. Ou moderno. Nós é que nos tornamos tão diferentes num mundo feito de iguais. E não pense você que sou preconceituosa ao avesso, não sou. Mas fazer o quê se eu gosto de gente, gente? Seja de que sexo for. Mas as mulheres, hum... Tá, assumo: eu gosto. De Caetano, de ser gay, do avesso. De ser muitas vezes incoerente. E eu amo. A mim. E tanto, mas tanto, que só assim sou capaz de amar o mesmo tanto a minha mulher. A minha esposa. Eu amo, eu gosto, tá, eu assumo: eu sou feliz.

Keith Jarret trio: longe daqui aqui mesmo

Lilian Zaremba

Piano, baixo, bateria. Aquele trio perfeito. Trio que encontra um de seus pontos altos na junção das mãos e cabeças de Keith Jarret, Gary Peacock e Jack DeJonette.
 
Um clássico no mundo do jazz que a cada dia vai se tornando mais classicamente difuso no panorama do clássico-popular ou popular-clássico, rótulos em plena era das convergências.
 
E para onde converge a música senão para nossos ouvidos?
 
É simples, no resumo final será a escuta o fator determinante nesta sobrevivência além rótulos: vai ficar o que se quer escutar.
 
Mas calma. Esta seleção não é, felizmente, definitiva, sem margem de erros... isto é: algo pode evoluir na escuta conforme os anos vão passando, as informações vão sendo apuradas. Então vamos apostar nesta idéia do passar do tempo na revelação de camadas mais profundas de um trabalho musical classificado como “standards”.
 
Como se diz, “standard” é aquela música que caiu no gosto popular nacional, internacionalizou-se a ponto de entrar para esta espécie de cancioneiro geral das nações. Obviamente, alimentado, este cancioneiro, pelos diversos produtos da indústria: gravações, musicais da Broadway, trilha de filmes, televisão, comercais, etc.
 
Caso de compositores como o norteamericano Frank Loesser, responsável por algumas composições tornadas “Standards” ou Cole Porter, Rodgers e Hammerstein, e outros. Além dos que escreveram estas canções aclamadas, existem os que as reproduzem, merecendo igualmente o mérito: afinal, quem melhor do que Sinatra para fazer de uma garota de Ipanema uma campeã de presença em bilhões de ouvidos ao redor do planeta?
        
um trio prefeito
 
Luiz Orlando Carneiro, crítico de jazz de um jornal carioca, compara o entrosamento entre os músicos Jarret, Peacock e DeJonette  a um dos mais perfeitos trios na história do jazz, ou seja, aquele outro formado por Bill Evans, Scott LaFaro e Paul Motian.
 
Jarret, gênio precoce, dono de uma carreira lotada de surpresas como sua recusa inicial ao convide de Miles Davis para que entrasse em seu grupo (coisa que mais tarde aceitaria) e também passagens pessoais como uma longa batalha contra a doença do cansaço, algo cujo diagnóstico foi demorado pois era um mal pouquíssimo conhecido, é um titã sonoro.
 
Felizmente tudo passou e Jarret confessa a importância da música e do tocar piano nesta recuperação da saúde. Tudo passa pelo exercício, e o treino nas teclas, lentamente, proporcionou a vontade da cura. Ouçam essa lentidão embutida, cheia de significados, na gravação de I Loves you, Porgy, standard de Porgy and Bess, dos Gershwin, pertencente ao álbum “The Melody at night with you”. Beleza imperdível.
 
Retomando as atividades depois deste período praticamente imobilizado pela doença do cansaço, Jarret reaparece em apresentações como no Festival de Antibes com seu trio.
 
Jarret, Peacock e DeJonette formam aquele tipo de grupo que dispensa ensaios. Na verdade, a música evolui como um diálogo e convenhamos, ninguém ensaia uma boa conversa.
 
Evidente, para conversar precisamos antes aprender a falar, escutar e acompanhar o raciocínio dos outros. Na música é a mesma coisa, afinal, trata-se igualmente de uma linguagem.
 
Esta conversa musical já rola há mais de 25 anos, tempo aonde os músicos se aperfeiçoaram em frentes diferentes.
 
Para quem não sabe, o pianista Keith Jarret possui formação na música de concerto ou a chamada “música clássica”.
 
E não apenas formação na técnica de piano, mas também em composição, como podem demonstrar diversas obras suas já merecedoras de registro.
 
Em 1993, por exemplo, Jarret gravou seu álbum “Bright of Light”, contendo composições suas para violino e orquestra de cordas, viola e orquestra, oboé e orquestra de cordas e uma Sonata para violino, com cinco movimentos, que o próprio compositor gravou ao lado de Michelle Makarski.
 
o encontro
 
Eles se reuniram para gravar, pela primeira vez, em 1983.
 
Isso foi em Nova York, no estúdio Power Station.
 
Permaneceram ali por 48 horas, tempo total e suficiente para gravar seus improvisos para canções standards e dali este trio evoluiria nos vinte anos seguintes. Um trio fora do comum gravando música rotulada como comum.
Nada mais impreciso.
 
Jarret comenta que nesses vinte anos o cenário se alterou fazendo com que, na opinião dele, o mundo bélico atual ofereça muito pouca poesia, e como conseqüência, alegria e transcendência possuem pouca oportunidade para acontecer.
 
Jarret diz: aspirar alcançar vôos mais altos, grandeza humana parece coisa do passado...imitação é tudo o que restou...marketing é só o que enxergamos...conhecimento se tornou mais e mais segmentado, a juventude está começando a esquecer que seu trabalho é olhar para o interior...dinheiro e fama, por si só, são as motivações. Aonde está a integridade neste mundo? Porque fazer música? Qual a diferença que poderá fazer neste cenário ?
 
Bem Jarret, se me permite opinião, eu diria que escutar sua música, será como você mesmo frisou...  buscar algo mais do que a superfície mesmo quando esta está aparentemente limitada numa canção standard, num sucesso de bilheterias e mercados. Porque a rigor quando se consegue, com integridade de propósitos alcançar este sucesso, dá-se um passo transgressoramente a frente desta mesmice que se quer como realidade.
 
Algo como estar “Over the Rainbow”, além do arco-íris e ainda, como diria muito precisamente Antonio Bivar: longe daqui, aqui mesmo.
 
sugestão de escuta:
 
Keith Jarret no Scalla de Milão tocando a música “Over the Rainbow”, e o álbum relançado em 2008, “Up for it”, com K.Jarret, J. DeJonette e G.Peacock.

Odisséia de uma transferência de veículo – Parte III

Ana Manssour

Dia seguinte, levantei cheia de pique, fiz outras coisas que precisava ainda de manhã, nem almocei e fui para o Ciretran. Como eu já havia feito minha nova carteira de habilitação no final do ano passado, sabia onde era. Rodei um pouco para conseguir estacionar do lado oposto da avenida, e lá me fui, com todos os documentos dentro de um envelope plástico. Era meio dia e cinqüenta e cinco minutos. Tinha uma fila na porta, que estava fechada. Daí lembrei: o Ciretran funciona das 8h às 12h e das 13h às 17h. Fecham para o almoço.

Coisa, aliás, que acho difícil de entender não só lá, mas em todos os serviços públicos e mesmo no comércio. Como podem fechar para almoço, se este é o horário que a maioria das pessoas que trabalha em expediente integral pode ir tratar de seus assuntos pessoais? Não seria muito mais lógico se houvesse um revezamento dos funcionários para irem almoçar, de maneira a continuarem atendendo nesse horário? Enfim... Pelo menos no Brasil não existe o horário da “siesta” como em grande parte dos países latinos.
 
Esperei abrir a porta e, quando fui atendida pelo moço que lá estava em pé fazendo a triagem, ele perguntou se eu já tinha feito a vistoria do carro.
 
- Não. Pensei que primeiro tinha que trazer os documentos aqui. Ninguém me avisou que antes era para fazer a vistoria.
 
- Então a senhora passe naquela casa azul e branca com o carro para fazer a vistoria. Depois que estiver tudo OK, volte aqui.
 
Ai, ai. Lá fui buscar o carro, fazer a volta, entrar no outro portão, lá adiante, na fila para a vistoria. E tinha váááários carros na fila. Fiquei lá, lendo e corrigindo artigos dos alunos da pós, de vez em quando andando um pouco com o carro para a frente.
 
Chego na vistoria. Vem um funcionário e pede os documentos. Olha e devolve. Vem outro e começa:
 
- Farol baixo. Farol alto. Seta para a esquerda. Seta para a direita. Pise no freio. Engate a ré.
 
E eu fazendo tudo direitinho. Daí a pouco o moço, atrás do carro, diz:
 
- Faz favor.
 
Eu olhei para o lado, para a frente, para trás. Vi o moço olhando para a prancheta e anotando. Não, ele não falou comigo.
 
- Faz favor.
 
Olhei de novo em volta, para os outros funcionários, para os outros carros. Ninguém falou comigo ou fez qualquer gesto. Que estranho, será que estou ouvindo coisas?
 
- Faz favor!
 
Desta vez identifiquei que era mesmo o moço que estava atrás do meu carro que falava em tom de voz mais alto e agora olhando para mim. Botei a cabeça para fora da janela, olhei para ele e perguntei:
 
- Sim?
 
- Faz favor.
 
- Mas faz favor o quê? – quase gritei, meio indignada. Afinal, ele só repetia o “faz favor” e não dizia o que era para eu fazer. Ligar o carro? Andar?
 
- Faz favor de vir aqui ver uma coisa.
 
Putz... Podia ter dito antes...
 
Então ele aponta a placa traseira do carro.
 
- As lâmpadas da placa estão queimadas. A senhora tem que regularizar isso e trazer o carro outra vez para a vistoria.
 
Sim, claro. Não poderia ser tão simples. As lâmpadas da placa traseira estão queimadas. Até onde sei, não são itens de segurança obrigatórios por lei. Tudo bem, deve ter sido quando bateram na traseira do meu carro, eu nem tinha notado. Não adianta argumentar nem discutir. Vou atrás de quem arrume isso.
 
Saí de lá e fui direto numa mecânica que fica na Av. Vergueiro, aqui em São Bernardo, onde há pouco tempo atrás eu havia trocado todas as lâmpadas do carro, porque andavam queimando em seqüência. Fui bem atendida lá daquela vez, é uma família de descendentes de japoneses muito simpáticos. O senhor de mais idade que me recebeu desta vez. Expliquei o que era, e que talvez fosse meio difícil de trocar porque o porta-malas não estava abrindo desde o acidente. Apesar da idade aparentemente avançada, ele não teve problemas pra trocar as duas lampadinhas com rapidez e conseguiu fazer isso sem precisar abrir o porta-malas.
 
- Muito obrigada! Quanto é?
 
- R$5,00.
 
Feliz da vida com a eficiência e eficácia, bem como com o preço baixo, voltei imediatamente para a vistoria. Fila outra vez. Lembrei da Marta “Suplício”: relaxa e goza! Terminei de corrigir todos os artigos dos alunos. Cheguei novamente na vistoria. Apresentei os papéis e já avisei ao senhor que me atendeu:
 
- Era só para regularizar as lâmpadas da placa traseira. O resto já está tudo OK.
 
Por sorte ele só verificou isso mesmo, e me liberou. Ufa! Vistoria feita e aprovada.
 
- E agora? – perguntei ao funcionário.
 
- Agora a senhora tem que ir naquela porta lá atrás para encaminhar as novas placas da transferência.
 
- Ah, certo. Como eu faço para chegar ali daqui?
 
- Ah, não tem jeito. Aqui dentro não tem retorno. A senhora tem que sair, estacionar o carro lá fora e vir a pé.
 
Sim, claro. Saí e fui achar um lugar para estacionar depois de duas voltas na avenida. Fui até “aquela porta” entreguei o documento, e me disseram que em 5 dias úteis a placa estaria pronta para retirar.
 
- Certo. E agora?
 
- Agora a senhora vai levar os outros documentos no escritório do Ciretran lá atrás.
 
Ah, sim. Aquele onde eu tinha estado antes e precisava ter feito a vistoria. Fui lá. Entreguei os documentos, e de acordo com eles, se não houvesse nada em desabono, multas, IPVA vencido, etc, em 5 dias úteis a transferência de estado estaria concluída e eu poderia retirar a nova documentação do carro: certificado de propriedade, DUT, etc.
 
Beleza! Entre mortos e feridos, salvaram-se todos! Em uma semana estarei com os documentos na mão e poderei levar meu carro na loja para entregar aos “novos donos” e finalmente retirar meu zerinho. Fui para casa com a sensação de ter descarregado o mundo das costas.
 
(continua na próxima semana)

Maré braba

Ana Laura Diniz

Sei lá... tipo assim... algum tempo sem postar... uma daquelas marés brabas em que tudo acontece ao mesmo tempo... e quando falo tudo é efetivamente tudo... tipo assim... não é maneira de dizer, sabe? Sabe cume mermo, mermão?! Tinha uma pessoa que eu gostava muito que vivia dizendo: “é... a vida não está para qualquer um”... achava aquilo engraçado, embora entendesse o que ela queria dizer... mas tipo assim... a coisa é mesmo óbvia. A vida não é mesmo pra qualquer um. Nem a morte. Tipo assim... sei lá.

Procura-se o olhar de Anne Bancroft

Ana Laura Diniz

Muitos perguntam o porquê desta seção chamar 84, Charing Cross. Resposta fácil apenas para os que lembram do filme, interpretado por Anne Bancroft e Antony Hopkins.
 
No Brasil, a obra recebeu o nome de “Nunca te vi, sempre te amei”, no qual Bancroft e Antony Hopkins interpretam o cultuado 84 Charing Cross Road, de David Jones (Inglaterra, 1986).

A história trata do romance platônico de um homem e de uma mulher que passaram anos trocando cartas sem nunca se encontrar pessoalmente. Ela, Helene Hanff, uma escritora americana, vivia em Nova Iorque. Ele, Frank P. Doel, o gerente de uma livraria especializada em edições esgotadas, em Londres. Tudo começou pelo fato de Helene adorar livros raros, os quais eram difíceis de encontrar nas livrarias nova-iorquinas. Para adquirir uma destas preciosidades literárias, Helene escreveu uma carta para a pequena Bookstore de Doel, conhecida por negociar livros de segunda mão. Esta primeira correspondência para Frank deu início a uma troca de palavras afetuosas, irônicas e repleta de humor, que nem imaginariam perdurar por mais de duas décadas, só terminando com a morte do livreiro londrino.
 
Helene que não conseguiu encontrá-lo em vida, foi a Londres depois de sua morte. O olhar que ela tece sobre a cidade, as suas cores, as suas curvas, a sua arte em todos os detalhes, é o que desejamos neste espaço. Olhos para enxergar, não apenas para ver. Olhos sedentos por informações, detalhes, caracterização de ruas, lugares, imaginativos ou não. A Londres da imaginação de Helene batia com a Londres real? O cheiro, a cor, o jeito da cidade. Londres nesse sentido é Minas, São Paulo, Rio, Suíça, Jamaica, Porto Alegre, Amsterdã, Pindamonhangaba. É qualquer lugar que se tem e se queira ter.
 
84, Charing Cross é o teu lar.

É coisa nossa

Adelaide Amorim

Marconi Leal. Tumbu. São Paulo: 34, 2007.

 A escravidão e a importação de escravos trazidos à força de suas terras de origem é o tema escolhido por Marconi Leal para desenvolver essa narrativa dirigida ao público infanto-juvenil.
Seria impossível falar desse triste capítulo da história do Brasil colonial sem trazer aos leitores toda a dor, as perdas sem remédio e o intenso sofrimento humano que a escravização dos negros lhes motivou. A separação de pais e filhos, as mulheres que perderam de vista seus maridos, tribos inteiras arrancadas de sua terra natal; as famílias dizimadas por doenças e pela violência dos castigos impostos àqueles que resistiam ao cativeiro, fugiam ou simplesmente se recusavam a realizar os trabalhos pesados que os senhores lhes impunham, sob a ameaça do chicote cortante dos capatazes – tudo isso está presente em Tumbu. A perda do próprio nome, o tratamento cruel e humilhante a que esses africanos foram submetidos estão descritos de modo inequívoco. As traições e os perigos que correram, o desprezo dos brancos e a imposição “piedosa” de uma religião que os forçava a renegar os deuses de sua infância também são narrados, durante as aventuras do negrinho que embarcou como clandestino num navio negreiro, determinado a encontrar seus pais, caçados como animais ferozes diante dele e de seus amigos na aldeia em que habitavam.
Mas se é verdade que a tristeza e o sofrimento são inseparáveis de qualquer narrativa minimamente fiel sobre o mercado de escravos, também é verdade que a narrativa de Marconi Leal, ao transcrever esse clima naturalmente sombrio através dos olhos do garoto Tumbu, narrador de seu livro, tinge tudo com os tons da inocência e da ingenuidade próprias da infância. Sem nada esconder, ele ameniza o que poderia ser insuportavelmente traumático para a sensibilidade infantil e, com grande delicadeza e perspicácia, fala na língua das crianças com tanto desembaraço como se narrasse aventuras vividas na infância por ele mesmo. Além disso, o humor permeia o texto de um modo sutil, trazido pelas considerações do herói, que se extasia e se espanta sem parar durante a aventurosa busca de seus pais.
Além da versatilidade de estilo, Marconi explora com sabedoria dois aspectos capazes de prender a atenção e envolver pré-adolescentes ou até adolescentes numa leitura: personagens carismáticos, como o corajoso Joisié, ternos como a Meiria, românticos como Uembu, a mocinha da história, ao lado de vilões e traidores como Wanderley e figuras ridículas, como a prepotente Donana ou o casal de donos da venda. Além dos personagens, aventuras que acrescentam uma pitada de suspense e levam os leitores a torcer pela vitória de uns e esperar que se faça justiça a outros – e o que é mais importante – sem o maniqueísmo das histórias padronizadas e sem heróis dotados de superpoderes.
Outra virtude de Tumbu é exatamente a ausência de idealização, tão comum nas histórias de hoje, quando se procura, sempre ou quase sempre, estabelecer um padrão de vencedor cada vez menos humano e acessível a simples mortais, capaz de suscitar na imaginação infantil fantasias talvez deformadoras e no mínimo estéreis em termos educativos.
Seria bem fácil apelar para um desses heróis pré-fabricados visando fascinar leitores iniciantes. Teria bastado um mago, quem sabe, ou um menino cheio de poderes físicos e/ou fantásticos, voador ou capaz de invisibilidade. Mas – que alívio! – nada disso acontece. Tumbu é um garoto africano de seus sete anos, igual a qualquer outro, espontâneo, bobinho, incapaz de qualquer tipo de malícia, que por isso mesmo acredita que vai ser fácil encontrar seus pais seguindo para a terra dos Brancões. E nesse jogo ele redime de sua própria ingenuidade o leitor que pode se identificar com suas fraquezas, seus medos e seu deslumbramento diante do desconhecido sem perder a própria identidade. Tumbu é um bom presente de aniversário ou de dia da criança, instrutivo e capaz de concorrer positivamente para a formação de seus leitores mirins.

O futuro ao alcance de todos

Dorothy Coutinho

O momento é esse. Vamos exigir dos nobres parlamentares municipais eleitos nas próximas eleições, que cobrem de seus pares estaduais a reforma política – mais conhecida como “chifres na geladeira” – sem excluir nada. Sem esse compromisso entre o eleitor e o candidato, a maioria dos votos mais uma vez, se dividirá entre nulos e comprados. É preciso discutir, discutir civilizadamente, sem demonizar opiniões diferentes.
 
A democracia está em crise, desde que o protagonista principal do processo – o eleitor – foi suprimido do processo, ao ser substituído pelos partidos! Partidos que não passam de associações de profissionais, em detrimento das associações de cidadãos, pois assim foram concebidos.
 
Voto no partido – o que é isso??
 
Eu quero votar no candidato e assumir a minha responsabilidade na escolha que eu fizer!
 
Tenho sido limitada a votar no candidato que o partido me oferece e que consta de uma lista. Por isso, sou favorável ao candidato independente, sem patrocínio!
Fala sério... Não precisamos dos partidos. Não precisamos de associações de profissionais da política. Precisamos, isto sim, de associações de cidadãos!
 
Ainda que com um sistema eleitoral “incestuoso” chegamos a ter políticos criativos, importantes e éticos, mas temos sido infelicitados com a ascensão dos maquiadores políticos, tentando nos fazer acreditar que o criminoso de hoje pode ser o prêmio Nobel de amanhã, e que só depende de nós, do nosso voto.
 
Vereadores, deputados, prefeitos e governadores e o presidente da república têm que trabalhar. Ir para seus gabinetes, despachar, decidir, administrar, distribuir tarefas, cobrar...ir às ruas e voltar para casa, jantar, ver TV, como qualquer trabalhador. Caso contrário continuará o temor de ir às ruas e levar um teco de algum eleitor insatisfeito – e somos muitos - ou de um PM mal treinado nas grandes cidades. Perigo maior é que os que hoje agridem com ovos, amanhã poderão agredir com bananas, pepinos ou mandiocas. Do ataque político ao estupro vegetal é um passo!!
 
Sem uma boa reforma política no país, não há porque duvidar que continuaremos a conviver com os Habib’s, Naginabas, Pittanic’s, Cacciolas, Valeriosdutos, e muitos prefeitos padrão 171 de qualidade, tendo como símbolo da impunidade um réptil arisco, também conhecido como Juiz Nicolalau!
 
Enquanto a reforma não acontece, vamos vivendo com a nossa ignorância de primeira, associada à demagogia de segunda, acreditando na jura pelo Senhor, do candidato que deixa de ser ateu nas campanhas de rua, para tornar-se a qualquer momento um devoto do Candomblé Católico do Maracatu Cartesiano com direito ao grau de Cavaleiro do Graal de Oxosse.
 
Todo cuidado é pouco, o futuro está ao alcance de todos, mas nem tudo que balança é ouro e nem tudo que cai reluz, ou qualquer coisa assim!

O que você faria se só te restasse um dia?

Ana Laura Diniz

O contador Otávio Guimarães Filho fica completamente confuso com a pergunta. “Isso me lembra o primeiro susto que levei na vida”, diz. “Eu tinha seis anos, mas quando ouvi de uma tia que o mundo acabaria no ano 2000, corri para fazer os cálculos e percebi que morreria jovem demais, aos 21”. Hoje, com 29 anos, suas preocupações são outras. “O mundo sobreviverá a nós. E por mais que sinta as calamidades do Homem sobre a Terra, não creio na expectativa de vida que traçam os cientistas. Considero-os um tanto alarmistas”.
 
Segundo matéria publicada no jornal londrino The Times, em fevereiro deste ano, cientistas ingleses e americanos avaliam que o fim do mundo está próximo, e que até o ano de 2010 metade da população do planeta morrerá. Motivos: epidemias e catástrofes naturais.
 
O analista de sistemas Thiago Lucio Bittencourt, 33 anos, ironiza a análise. “Se for para acabar que seja rápido porque se até o fim do mundo demorar para acontecer será de extrema incompetência”. E continua. “A questão do aquecimento global é verdadeira, mas o fim do mundo... Está certo que muita coisa tem acontecido rapidamente, mas essa previsão de dois anos é um tanto exagerada. Os cientistas fazem isso porque precisam tentar reverter a tempo a situação... mas é certo que todos teremos mais tempo de vida”, diz.
 
Clara Souza, estudante, 19 anos, não tem a mesma certeza e se impressiona com tudo. “Aqueles terremotos na China foram horrorosos. É tanta tragédia que os noticiários nem mencionam mais sobre as Olimpíadas... Foram mais de 70 mil mortos e cerca de 100 mil feridos... até em São Paulo teve terremoto... Quando no Brasil se ouviu falar numa coisa dessas?”.
 
CULTURA DO “CARPE DIEM”
 
Por essas e outras é que Maurício Aguiar, 23 anos, analista financeiro na área de controladoria da Nissan, pensa mais do que nunca em aproveitar o tempo presente. “Não adianta temer o futuro. Façamos planos, vivamos o dia-a-dia da melhor forma. Se as previsões acontecerem, pelo menos viver terá valido a pena”, diz.
 
Para ele, é difícil cogitar que tudo acabará. “Alguns sempre sobrevivem, e em condições precárias, reconstroem. Nos próximos cinco anos, os efeitos de destruição serão mais notáveis nos elementos naturais: alteração climática, desastres naturais e eventos isolados. Desse modo não me sinto diretamente afetado”, diz. Também poluição, desmatamento e contaminações variadas. “Acho que com o tempo os efeitos dessas coisas na saúde serão cada vez mais intensas. E apesar das novas doenças e epidemias, o ser humano será obrigado a conviver com elas, e mesmo não acreditando que conseguirá se adaptar tão rapidamente a tudo, vencerá. Não importa a parte do mundo em que se esteja, a situação estará intrinsecamente relacionada à condição social das pessoas. Quem tiver maiores recursos financeiros ou bons planos médicos, tenderão a escapar”, diz Aguiar.
 
Daqui a cinco anos, o analista financeiro pretende estar no Canadá, estudando cinema. “É um sonho antigo”. Já a dentista Gabriela Pereira Gianni, 39 anos, espera morar em Londres nos próximos três anos. “Amo o Brasil, mas o mundo está em toda esquina... e eu pretendo vê-lo com sotaque inglês”, diz. “Quero o dia-a-dia, o resto não depende de mim”, acrescenta.
 
“O FUTURO A DEUS PERTENCE”
 
A musicista e desenhista Luciana Vannucchi de Farias, 37 anos, se define como uma otimista incurável. “Ainda acho que descobrirão meios de evitar com que tudo se acabe... pelo menos eu espero”, diz.
 
Mãe de duas filhas, ela procura fazer a parte dela nesse “processo de salvação”: separa material para reciclagem e ensina o mesmo para as filhas. “Também procuro conviver bem com as pessoas. No mais, se viver preocupada com o fim do mundo, não faço mais nada. Não sei o amanhã, se estarei aqui por muito tempo ou não. Procuro é viver a vida da melhor forma possível, um dia de cada vez, e pensando sempre que um futuro neste mundo será possível. E procuro passar essa positividade para as meninas”.
 
A professora de inglês e empresária Elaine Fonseca, 31 anos, procura também economizar água e evita jogar lixo em lugares inapropriados. “Educo os meus filhos mostrando-lhes a importância de se cuidar e cuidar do meio em que habitam para poderem viver melhor e com mais saúde. Tenho medo do futuro e por isso procuro bem viver o presente”, diz.
 
Entre os temores, Elaine receia que os filhos sofram de falta de ar crônica ou coisa pior: que implorem por água pura para beber. “Acredito em Deus e peço a Ele que tenha piedade do mundo, pois creio que o planeta esteja em perigo. Sinto as transformações ao meu redor. A pele está mais seca, os dias escuros e com ar pesado. A água, cada vez mais, tem sabor de cloro e cheiro de água sanitária...”
 
A professora constata que não haverá o fim do planeta. “Vivemos uma transição”, diz. O mesmo pensa a consultora imobiliária Débora Baccarin, 43 anos. “O mundo sofre transformações e adaptações como todo ser humano. Vivemos dois mundos paralelos – das pessoas conscientes e das que vivem na escuridão, na ignorância... para estas, certamente o mundo acabará; pelo menos o que para elas existe como verdadeiro. Final dos tempos, ou o ser humano acorda ou será consumido em sua própria ganância e falta de consciência”, diz.
 
Débora tenta ser uma pessoa melhor todos os dias. “Trabalho o meu lado espiritual. Mudo a minha vibração e os que estão em minha volta se beneficiam disto. Medito e acredito em Deus e em suas várias formas de manifestações. É daí que vem a força e a sabedoria para mudarmos toda e qualquer situação”.
 
“QUEM PLANTA VENTO, COLHE TEMPESTADE”
 
Círculo vicioso. “O mundo devolve o resultado de nossas próprias ações. Há situações que temos que passar, independentemente de nossa vontade ou escolha. Não temos como fugir. Em outras, traçamos o nosso destino”, acrescenta a consultora.
 
Para a estudante de 13 anos, Shari Baccarin Saber, filha de Débora,nada se reverte rapidamente. “O Homem tinha que começar a pensar no planeta desde já, porque o depois pode não existir. Mas para consertar o planeta, é preciso que antes algo ou alguém conserte o ser humano”.
 
Shari está no 8º ano, e embora adore as suas aulas de guitarra, não sabe o que o futuro lhe reserva. “Não sei o que serei ao crescer. Tudo muda rapidamente e até lá a minha cabeça já terá mudado muitas vezes, e as minhas idéias serão outras”, diz. Ela tem cinco anos para decidir. “Em tese”, acrescenta. Mas imagina a sua vida nos próximos 20. “Quero ser independente e ter um emprego que me sustente. Quero estar bem financeiramente, morando numa casa ou num apartamento bonito e confortável. Pode até ser que eu tenha uma família já... ou então, terei investido na música, e, quem sabe, terei uma banda. Não pretendo morrer nem daqui a dois, cinco ou 20 anos. Se morresse muito nova, talvez não desse para cumprir a minha missão aqui na Terra... seja ela qual for. O que também não dá é viver por viver”, diz.
 
ÚLTIMO DIA
 
(...) Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz, o que você faria?

Andava pelado na chuva?
Corria no meio da rua?
Entrava de roupa no mar?
Trepava sem camisinha?

Meu amor
O que você faria?
O que você faria?(...)


Os trechos da composição acima são do cantor Paulinho Moska, mas representam exatamente as incertezas de vida do administrador Miguel Barbosa, 27 anos. “Planejamos tanto o futuro e sofremos tanto pelo passado que o presente sempre escorre por entre os dedos. E só em situações extremas ou quando não há mais jeito, é que as pessoas lembram que gostariam de ter feito, de ter sido, de ter dito o quanto amavam, gostavam, sentiam...”, diz. “É preciso estar atento aos princípios para não incorrer no erro de viver por viver... porque se fosse assim, frente à ilusão do fim do mundo, quem não tiver valores morais e educacionais passará a matar, a roubar mais e mais e mais... a agir de forma qualquer porque tudo estará fadado ao fim de um modo ou de outro”, acrescenta.
 
O analista de sistemas Thiago Bittencourt acha a situação exagerada. “O presente é pensar mais no agora, ou seja, não deixar para fazer amanhã o que se pode fazer hoje. Não é o sujeito que ao invés de ter dois gatos, por exemplo, resolve comprar todos os gatos do Estado e rouba um banco para mantê-los e foge numa BMW qualquer dando tiro para o alto... isso é manicômio mesmo. Viver o presente é curtir pequenos momentos porque no mais resta-nos ser espectadores. Antes do mundo acabar, outros cientistas – alemães, russos e também americanos – garantem que seremos todos ‘marcados’ com chip... o que substituirá os cartões de crédito e coisa a tal... Vejo tudo com muito cuidado pois o fanatismo é outro pecado pra mim. Que venha a vida”.
 
E o mundo? “Que viva o seu último dia como se restasse um só todos os dias”, finaliza.

 

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